segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Um velho sábio disse: "Só há duas tragédias na vida: uma é não se conseguir o que se quer, a outra é consegui-lo."
Pedi aos orixás que me trouxessem paz.  E isso de fato aconteceu. Deixei a linearidade da poesia para escrever textos crus e claros, e tentar entender. Seria eu, essas pessoas que apontam o dedo dizendo que os outros não sabem amar, mas eu só sei amar alguém na adversidade? Entre os gritos, ou o sorriso da presença? Ou eu tenho que me acostumar com o coração de um jeito que seria impossível nesse momento aceitar que você está ai, sem dilemas, apenas sendo você de um jeito estranhamente bom?
Eu repasso os problemas e eles ficam vagos na minha cabeça. A doçura continua, embora linear. Embora muitas vezes vazia longe. Difícil de acessar. Por que eu fico tanto querendo acessar você?
Estar mais bonita e encantadora para você se lembrar? Ou será que eu sou só encantadora quando alguém reconhece? É isso? É por isso que eu sou mais paixão que amor?
Não faz sentido. Paixão e amor. Amor também elogia, também suspira. Meu amor. E o dela?
Acomodado?  Distante. Venha a mim.  A que não enfrenta problemas.
E eu? A senhora que acabou de achar um problema.

I get it.

domingo, 13 de agosto de 2017

Cheguei em casa e todo canto tinha um silêncio. Há uma noite você estava ali, com aqueles olhos grandes, me censurando, rindo, falando coisas sérias, ou sendo você. Hoje não. Voltei para a casa sozinha. Mesmo ali nos meus braços, eu pensando " Não vale a pena, viver um relacionamento onde as pessoas não conseguem viver nada além dos momentos ruins" eu achei que isso representaria o fim do ciclo, que acabaríamos por descobrir que talvez, só talvez, não fosse tão bom assim estarmos juntas. Você riu, e disse " Precisamos arrumar essa parede", passou a tarde cortando triângulos, e colando na parede, xingando, claro, e depois reclamando que estava com fome, e de como era injusto você sempre ir no mercado. Não discuti, pensei em ir mais tarde, e sozinha. Não queria discutir, porque sabia que em parte era verdade, mesmo sua reclamação sendo tão chata as vezes... Antes que eu pudesse me levantar você veio até mim e disse que iria comigo, não lembro se houveram desculpas, mas sair de mão dada com você por aí, foi de longe uma das melhores coisas que fizemos naquela tarde. Eu estudando, você falando sozinha, eu mudando todas as músicas que você colocava. A vida segue.
A noite também.
Voltamos para a casa depois de uma noite cheia de bebidas e eu fazendo companhia ao balde. Lembro que começamos no meio da insanidade do caminho, nos desentender, mas por ironia do destino, naquele momento você só precisava cuidar de mim... E eu bom, eu neguei, mas depois aceitei, o seu jeitinho, meio frio, mas todo preciso e cuidadosa.
Não me lembro de um dia tão tranquilo quanto este, em que foi possível a gente dormir, horas no sofá da casa dos meus pais, sem perder a doçura e sem reclamar que a comida estava ruim.
Fazia um tempo considerável que você não sorria daquela forma comigo, e a caminhada até o sorvete não era permeada por tanta calma.
O tarô disse que viveríamos um fim de ciclo, aberto a possibilidades de felicidade. E eu que me desesperei tanto com esse fim, hoje fico agraciada, terminamos o dia terminando nossa série, e única série que vimos até o fim, juntas.
A felicidade em si, é banal. Mas ela carrega esse seu cheiro, um show da banda mais bonita da cidade e alguma comida gostosa. Nada mais.
Te ver embora, não veio acompanhada de receio ou medo do dia seguinte, te ver embora hoje, foi a primeira vez em tanto tempo, que me senti aberta a ter saudade.

Se isso não for amor, é um bom caminho para ser.